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GLP-1 e foodservice: NRA Show revela o que os dados dos EUA já mostram e como isso ajuda o Brasil a performar melhor

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  • há 20 minutos
  • 5 min de leitura

Simone Galante


Um dos aprendizados mais relevantes da última National Restaurant Association Show ( NRA Show – Chicago) veio da forma como o mercado americano já conseguiu quantificar o impacto dos medicamentos GLP-1 no foodservice. A palestra da Rachel Royster trouxe muito mais do que sua excelente opinião como especialista: nos brindou com dados e evidências. E isso permite aprender com os Estados Unidos para tomar decisões melhores no Brasil, algo que sempre buscamos ao fazer missões internacionais.


O ponto de partida: quem é esse consumidor nos EUA

Nos Estados Unidos, o uso de GLP-1 se expandiu rapidamente, impulsionado por maior acesso, versões manipuladas e preços mais baixos em determinados períodos. Em alguns momentos, consumidores encontravam semaglutida manipulada a partir de US$ 79 por mês e tirzepatida em torno de US$ 250 mensais, fora do sistema tradicional de seguros.


Esse cenário acelerou a entrada de milhões de consumidores em um novo padrão de relação com a comida. Parte desse público passou a usar o medicamento com foco estético, de forma intermitente e com pouca preparação para mudanças estruturais na alimentação. Esse dado ajuda a entender o comportamento que aparece depois no consumo fora do lar. 


Será que no Brasil veremos algo similar? Pessoas comprando este medicamento com foco estético?  Em minha opinião, obesidade é uma questão séria e de saúde pública, e estes medicamentos podem ser muito importantes para a sociedade para serem reduzidos a isso.


Persistência no uso explica o comportamento ao longo do tempo

Os dados apresentados na palestra mostram que o uso contínuo é limitado para a maioria dos consumidores americanos.


Mais da metade, 53,6%, interrompe o uso em até um ano. Em até dois anos, esse número chega a 75%. Apenas 6% dos usuários afirmam intenção de permanecer no longo prazo. As razões mais citadas para a interrupção são custo elevado e efeitos gastrointestinais desconfortáveis.


Esse padrão cria um movimento em ondas. O foodservice americano sente um impacto mais forte no início, seguido por uma fase de adaptação e, depois, por um novo equilíbrio.


E aqui vem outra reflexão... vocês acreditam realmente que estas medicações não irão evoluir, com toda a base tecnológica que cresce no setor da saúde? Muitos dados históricos são pré-Mounjaro ou em cenários de preço mais caro. Acompanhar tudo isso é imprescindível.


O impacto mensurável no consumo fora do lar

Nos primeiros meses de uso do GLP-1, os dados que a Rachel trouxe na palestra são claros. Nos EUA, 63% dos usuários passam a gastar menos comendo fora e 61% reduzem gastos com takeout e delivery. A frequência de visitas a restaurantes cai de forma significativa, com uma redução próxima de 50% nos primeiros meses.


Esse comportamento está ligado ao período de adaptação do organismo, quando saciedade precoce, desconforto digestivo e aversão a certos alimentos são mais intensos.


Medir e estimar faz parte do que fazemos como especialistas. Pelas nossas pesquisas da GALUNION sabemos que temos que buscar dados de penetração, do peso da população ou classe social no faturamento do setor, nos dados de redução média de gasto por usuário, na resposta de ajuste do ticket e das ações de mitigação por mix ou porcionamento... ficou complexo? Bem, nossa estimativa para o Brasil em 2026 é de impacto que varia de -1% até 0. Quer saber mais? Veja neste link outro artigo meu.


O que sai do pedido com mais frequência

Quando se analisa o que os consumidores americanos deixam de consumir com maior recorrência, surgem padrões consistentes em diferentes formatos de foodservice.


Sobremesas, frituras, batatas fritas, pães, bebidas açucaradas e álcool calórico aparecem entre os itens mais evitados. Em operações full service, mais da metade dos usuários deixa de consumir sobremesas, frituras, pães e cerveja/bebidas alcóolicas.


Outro ponto relevante apresentado é a rejeição a porções grandes e pratos pesados, inclusive alguns associados à saudabilidade, como saladas de grãos muito volumosas, lotadas de carboidrato ou de digestão lenta.


A realidade é uma necessidade de se adaptar à uma tendência bem clara: Saúde com Sabor, super evidente aqui no Brasil... reforço aqui: nunca se esqueça do Sabor.


A reorganização do desejo alimentar

O dado mais estratégico da palestra aparece na reorganização do que o consumidor passa a valorizar no prato.


Usuários de GLP-1 passam a buscar refeições com:

  • maior teor de proteína

  • alta densidade nutricional

  • mais fibras

  • menos açúcar e carboidratos simples

  • ingredientes reconhecíveis

  • porções controladas


Esse movimento muda a lógica do menu, pois o foco passa a ser a entrega de saciedade, conforto físico e sensação de escolha inteligente.


O que esperar? Teremos um consumidor com escolhas mais racionais? Mais pragmáticas e funcionais? Nosso consumidor no Brasil já diz que o principal produto que deseja consumir é algo “econômico que caiba no meu bolso sem abrir mão da qualidade”, e os aspectos de saúde/bem-estar foram os que mais cresceram nestes últimos 02 anos.


O que acontece depois de cerca de um ano tomando a medicação

Passado o período inicial, os dados mostram uma inflexão importante. Parte do público entra em modo de manutenção, com redução dos efeitos colaterais e maior previsibilidade do apetite. O hábito de comer fora volta a crescer, com outra lógica de valor.


Nos EUA, esse consumidor passa a preferir porções menores combinadas com opções mais premium. Crescem pedidos de entradas para compartilhar, small plates, meias porções bem precificadas, bites de alto valor percebido e sobremesas em formato degustação.


Veja que o consumo não desaparece, nem as ocasiões de socialização. Ele se torna mais seletivo, mais intencional e mais conectado à experiência.


Eu acredito que no Brasil (e no mundo!) ainda teremos as ocasiões de consumo ligadas aos “encontros e celebrações” muito presentes no dia a dia do foodservice. Repito o que eu disse na minha palestra durante a NRA Show de 2025: CONEXÃO é a nova MOEDA, e as experiências, a forma de conquistá-la.


O aprendizado estratégico para o Brasil

O Brasil está em um estágio diferente de adoção, com menor penetração e maior controle regulatório. Isso cria uma vantagem competitiva: tempo para aprender com o que os EUA já viveram.


Os dados mostram que o impacto do GLP-1 representa uma reorganização de demanda, com efeito estrutural no foodservice. Operadores que ajustam porções, repensam composição de pratos e desenham uma arquitetura de escolha clara conseguem proteger margem, manter frequência e fortalecer vínculo com o consumidor.


Será que isso será suficiente? Será que será possível ignorar o avanço da saúde, da busca pela beleza física, da busca pela longevidade? O que mais pode acontecer?


Por que a NRA Show em Chicago segue sendo decisiva

A NRA Show permite enxergar esses movimentos antes que cheguem ao Brasil em escala. Não como moda, ou como o assunto hype da vez que já tem até marchinha de carnaval...mas como um padrão de consumo que seja possível de ser mensurado, testado e traduzido em estratégia de menu, preço e experiência.

 

Em 2026, a GALUNION volta à NRA Show com a melhor missão técnica e com um objetivo claro: transformar sinais globais em leitura estratégica e performance para o foodservice brasileiro.


Convido você a vir conosco e acompanhar o que as Mentes Inquietas do foodservice fazem de leitura e conexão! Quer saber mais? Clique aqui. Se você gostou, se você ficou instigado, se você não concorda, por favor comente. ;)



Fontes apresentadas na palestra de Rachel Royster

  • University of Pennsylvania — estudo sobre persistência no uso de GLP-1

  • Prime Therapeutics & Magellan Rx Management — interrupção do uso em até 2 anos

  • KFF (Kaiser Family Foundation) — intenção de uso de longo prazo

  • Morgan Stanley — impacto do GLP-1 em gastos com foodservice e delivery

  • William Blair Study, via Nation’s Restaurant News — queda de frequência nos primeiros meses

  • Technomic — GLP-1 Impact on Foodservice 2025

  • Today.com — alimentos evitados por usuários de GLP-1

  • Circana — Rebounding Dining: GLP-1 Webinar


 
 
 

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