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O “buraco de minhoca” da tecnologia no Foodservice

  • Foto do escritor: Luiza Aché
    Luiza Aché
  • há 4 dias
  • 5 min de leitura

Setor vive um momento de profundas transformações e o caminho da mudança já está definido


 


Em nosso mergulho na The Restaurant Show 2026, o principal evento de Foodservice do mundo, eu e Grasiela Tesser, diretora-executiva da NL, fizemos uma varredura nas soluções apresentadas e tivemos a oportunidade de não só entender movimentos globais, como também as possibilidades que se desenham para as empresas brasileiras.


O Foodservice convive com ecossistemas transacionais e de gestão altamente complexos, que englobam softwares de PDV, ERPs e agregadores. Na maioria dos casos, porém, os operadores fazem um uso superficial do poder dessas ferramentas. Isso acontece porque, com a dinâmica acelerada do setor, não há como interpretar o que acontece em tempo real no mercado ou extrair os dados necessários para uma inteligência realmente assertiva.

Como resultado, os gestores normalmente se limitam a interagir com dados macro apresentados em dashboards, sem uma visão granular que possa identificar ineficiências e trazer ganhos realmente significativos para as operações.

Outra questão importante, e que acrescenta um nível imenso de complexidade a um negócio já desafiador, é a descentralização tecnológica. Um bom exemplo são as atividades de marketing. Uma única operação exige o gerenciamento simultâneo de soluções diferentes para coleta de feedbacks, otimização de SEO, intermediação de influenciadores, aplicativos próprios, websites, além de plataformas separadas de CRM e CDP.


Conectar e integrar todas essas ferramentas via APIs representa hoje um gargalo operacional caro, moroso e repleto de atritos. Além disso, frentes de caixa e checkouts tradicionais sofrem com falhas humanas e operacionais simples, como erros recorrentes na identificação manual de variações de produtos similares por parte dos operadores.

O resultado desses problemas aparece no DRE das operações: CMV acima do necessário, perdas, desperdícios, atrito no relacionamento com o cliente e oportunidades perdidas. Mas esse é um cenário que deverá mudar muito nos próximos anos.

 

Onde está o “buraco de minhoca”

Antes de avançar para o futuro do Foodservice, vale um pulo na física quântica. Lá, existe o conceito de “buraco de minhoca” (wormhole, em inglês), que é uma estrutura teórica do espaço-tempo que funciona como um atalho cósmico conectando regiões distantes do universo. O Foodservice já consegue enxergar o “buraco de minhoca” que permite conectar o presente a um futuro que parecia muito distante: encontramos um atalho tecnológico.

Existem 5 elementos que já estão presentes Foodservice, e sua combinação cria essa ponte que levará o setor para um futuro mais evoluído:

 

1)    Inteligência Artificial Generativa, LLMs e Agentes de IA

A IA é o grande passaporte para as transformações dos negócios. Os agentes de IA atuam como uma inteligência centralizada acima dos ERPs e PDVs, personalizando as recomendações estratégicas do negócio. Já o desenvolvimento de dashboards em linguagem natural permite processar perguntas desestruturadas (por voz ou texto) e gerar respostas estruturadas automáticas, compilando e exibindo gráficos de acordo com o contexto solicitado.

A integração de motores de IA diretamente a robôs físicos abre a possibilidade de que as máquinas mantenham conversações abertas e fluidas sobre qualquer tema, do turismo à série do streaming, enquanto o cliente aguarda o preparo de bebidas ou refeições.

 

Sistema da Kitchen Armor de KDS com treinamento intuitivo em tempo real
Sistema da Kitchen Armor de KDS com treinamento intuitivo em tempo real

2)    Processamento de Linguagem Natural e tecnologias de voz

SoundHound AI
SoundHound AI

O uso de assistentes de voz que entregam interações de voz rápidas, fluidas e com entonações hiper-realistas para atendimento telefônico ou experiências integradas abre espaço, por exemplo, para compras pela televisão sem interromper a programação.


Já os totens conversacionais passaram a ser multilíngues, conduzindo o fluxo de compras em bate-papos e personalizando ingredientes e preferências de forma contínua.

 

3)    Visão computacional

Câmeras de reconhecimento visual leem instantaneamente todos os itens depositados em uma bandeja de checkout, calculando o pedido em tempo real sem a dependência de códigos de barra e neutralizando os erros tradicionais de digitação dos operadores. Já em geladeiras inteligentes ou em uma nova geração de vending machines, o uso da tecnologia facilita a identificação dos itens comprados e a sua cobrança automática.

 

SoundHound AI
SoundHound AI

4)    Robótica e automação de processos

Equipamentos programados para dosar, misturar, agitar e finalizar insumos complexos em menos de dois minutos, operando em níveis de velocidade inalcançáveis em escala puramente humana. Isso já existe, é operacional em indústrias como a automotiva – e está cada vez mais próxima do dia a dia dos negócios de Foodservice.

 



5)    Logística terrestre e aérea autônoma

Veículos utilitários modulares de entrega interna para micrologística integrada e ecossistemas de drones baseados em propulsão leve abrem possibilidades intrigantes de distribuição de produtos, seja nas atividades de contato direto com os clientes, seja na retaguarda. Por mais que questões operacionais e regulatórias estejam em discussão, a tecnologia está disponível – e se aperfeiçoa constantemente.

 

Para onde o Foodservice irá

A combinação dessas 5 tecnologias irá gerar uma quebra radical na estrutura de custos das empresas, na velocidade de execução e no modelo de atendimento aos clientes. O que veremos, com isso, é uma completa redefinição da jornada dos consumidores, transformando relacionamentos, fidelidades e equações de valor.


Prepare-se para ver, nos próximos anos, soluções tecnológicas que atualmente podem parecer inacessíveis para o mercado brasileiro. Lembre-se que o “buraco de minhoca” do Foodservice encurta a distância entre o presente e o futuro, criando realidades que pareceriam impossíveis há poucos anos:


  • Interfaces invisíveis: a navegação convencional por cliques e menus engessados já começou a ser substituída. O software deixará de ser uma tela para se tornar um ecossistema invisível, onde a intenção do gestor ou o desejo do cliente são capturados, interpretados e executados instantaneamente a partir de voz e contexto.


  • Gestão autônoma: a tomada de decisão deixará de ser um exercício reativo baseado nos relatórios do que aconteceu ontem. Os sistemas passarão a rodar hipóteses sucessivas de forma proativa. Simulando o impacto de variáveis como clima, tráfego urbano, estoque e eventos locais com dias de antecedência, a tecnologia sugere e ajusta automaticamente as escalas de pessoal, compras e engenharia de menu. A ciência de dados deixa de ser uma competência dos analistas e passa a ser o motor do negócio.


  • Ecossistemas de Marketing All-in-One: o mercado ruma para pacotes de software unificados que cobrem desde o site e o app até os feedbacks do Google, capturando o dado do cliente no programa de fidelidade e integrando-o diretamente ao CRM e ao CDP. Esse novo modelo antecipa comportamentos e automatiza o relacionamento personalizado com o consumidor, antes mesmo que a próxima intenção de compra se manifeste.


  • Cozinhas visuais e KDS preditivos: os Kitchen Display Systems (KDS) passam a trabalhar com lógicas algorítmicas preditivas integradas ao delivery. O sistema sugere e antecipa o preparo de lotes de produtos antes de o pedido entrar formalmente na fila, além de apresentar os insumos na tela de forma 100% visual e interativa para orientar a montagem correta pelo operador.


  • Logística autônoma de last mile: a entrega de pedidos evolui para a utilização de veículos e drones autônomos operando em ambientes controlados. Robôs terrestres leves focados em circuitos fechados e de alto volume (como hospitais, corporações e grandes condomínios), além de hubs de drones de vizinhança ultraleves, passarão a fazer parte do cotidiano.

 

A transformação tecnológica no Foodservice vai muito além de substituir pessoas por telas ou robôs. O setor caminha para se tornar uma indústria cooperativa: sistemas inteligentes passam a absorver a complexidade técnica e a análise pesada de dados, deixando os seres humanos livres para focar na hospitalidade. Uma combinação que une velocidade, custo acessível, precisão operacional, calor humano e encantamento.


E como está o Brasil nesse processo?

Na GALUNION, iniciamos no ano passado um movimento para iluminar as soluções tencológicas que realmente impactam positivamente o setor, já disponíveis no Brasil. Todas reunidas em um lugar de acesso livre.

Fica aqui meu convite, se você conhecer as tecnologias disponíveis para impactar positivamente seu negócio de foodservice no Brasil, ou quer apresentar sua solução às marcas do setor, para acessar https://www.radartechfoodservicebrasil.com.br/

 





 
 
 

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